terça-feira, 22 de outubro de 2013


NO SILÊNCIO DA MÚSICA


Andando apressado pelas ruas hoje
Preocupado com o Horário não determinado por mim
Para cumprir obrigações que também não são minhas
Embora me contratem para me responsabilizar por algumas responsabilidades alheias
Com o fone no ouvido, fui surpreendido pelo fim da bateria do meu celular

Me faltou a música e sobrou ansiedade

Resolvido os problemas e cumprido os prazos

Pensei em tanta coisa no pequeno trecho entre o banco e minha casa

O amor também amadurece

E por ser maduro não deixa de ser carne, menos libido
Mas nos faz atento a detalhes

Hoje não quero a satisfação de ser abrigado
Mas quero para ela ser o urgente e calmo abrigo

terça-feira, 21 de maio de 2013

INCUMBÊNCIA


Não sei por quantas vidas
Seguiremos completando nossas existências,
mas sei que em vidas idas você, comigo,
vivemos sob a mesma regência

Nossa missão até ser completa
Pode precisar de muitos anos
Que não canso, persevero
Ajeitando com você a vida
E nosso compromisso sempre reitero

E celebro cada momento, como que eterno
Cada gesto, mesmo mínimo, deixam marcas indeléveis
E a todos eles, atenciosamente, observo.
Foi tão bonito você me oferecer seu caderno

sábado, 13 de abril de 2013

Angulo


















Impar
Singular
Único

SOZINHO

Impar
Singular
Único

DIFERENTE

Impar
Singular
Único

EXÓTICO

Diferente
Exótico 
Sozinho

ÚNICO

Exótico
Diferente
Sozinho

IMPAR

Sozinho
Exótico
Diferente

EU
ou
VOCÊ

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Escrevendo, escondendo


Quando escrevo e alguém gosta
Penso se gostou do ajuntamento das palavras
Ou do pensamento contido
Prefiro que gostem da segunda opção
Assim penso que começo a ser redimido

Ser compreendido é o que busco
Mas se desperto outras coisas
Quando lido, fico feliz
Não foi inútil o tempo gasto
Com o escrito

Não escrevo com a constância
De alguns amigos,
Escrevo pouco, talvez
Para me manter escondido

Quero e abdico!

A Rua, o Nicollau e o Mundo


Morei, até 2002, em uma casa na Santa Cruz, em um pequena rua sem saída.
No final de 2011 meu filho Nicollau foi até àquela rua visitar um amigo.
Perguntou-me se eu tinha certeza que moramos naquela rua mesmo.
Ele a achou muito pequena, em suas lembranças a rua era enorme.
Era sua visão infantil.

Todos já tivemos surpresas assim.

Eu já tenho lembranças do tempo em que eu era mais forte.
Quando eu peitava esse mundo injusto,
Quando cria que minha revolta iria contagiar tanta gente
Que mudaríamos o mundo.
Era minha visão juvenil.

Passei parte da minha vida nesta luta.
E a cada dia percebi mais de que modo era feito o mundo
E quanto mais informado, mais indignação.

Não mudei muito, ainda fico indignado todos os dias
Percebo até mais as sutis explorações dos "homens"
É minha visão mais madura.

Hoje quero que o meu mundo seja pequeno como aquela rua
Assim fica mais possível a administração dele.
Poderei enfeitá-lo com músicas, letras e amigos...
E deixar de lado um pouco as coisas que não conseguimos mudar
Mas que ainda incomodam bastante

Nem ligo mais se disserem que deserdei
Faço minhas escolhas à partir do que gosto
Não mais do que me atormenta a existência.

Uma alienação voluntária e consciente.

Desejo que este mundo seja enorme como a Rua do Nicollau.

Mas aceito conversar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Mas, Heim?

















De que valem os olhos?
Não enxergam a essência
Olhos cegos que olham
Obscurecidos pela consciência

Que me perdoe os sãos
Aos loucos faço reverencias
Eu desprovido da razão
Enxergo com minha eloqüência

Entender-me é para os tolos
Mente em eterna contradição
Sou louco, louco como poucos
Ninguém oferece compreensão

De Dionísio herdo o exagero
De seu coração extraio a fuga
Entorpeço a vida sem esmero
À consciência, só resta a culpa.

segunda-feira, 1 de abril de 2013


Ah, o desencontro!
Nossos horários não combinam
Quando começo, você termina!

Eu chego e ouço o barulho,
Corro, abro a janela
e já voou minha menina.

Deixo recado e bem claro
que vi o que me mostrou a moça
e deixo comentários à beça

Quando acho que terminei, ela começa!

Tão bom quando calha
Dos nossos horários baterem
Batemos papos eternos
sérios e de brincadeiras
Esquecemos como tudo começa
Só sabemos que a conversa não termina

E assim ela entra em meus dias
Assim eu entro nos dias dela
Podem ser por assuntos corriqueiros
Ou reflexões muito sérias

O bom é saber que posso contar com ela
Que posso contar pra ela
E ela contar comigo

Trocamos textos, imagens e impressões
Acho até chato os dias em que não faço isso
Um dia sem falar com ela
É um desperdício
De tudo que posso dar a ela
E de tudo que ela compartilha comigo

Viver é duro, as vezes um perigo
Converso com ela
E ela conversa comigo
Assim me sinto calmo
Assim ela me dá abrigo
E eu, em contrapartida,
As dores dela, mitigo

Beijos, depois volto
e assim, como nossas conversas,
o poema não termino!