quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A vingança é o que me resta



Há momentos em que me calo
Quando no meu íntimo a vontade é de gritar
Isso já foi raro

Houve tempo em que gritava
Ao primeiro incomodar
A razão desconsiderava
O que importava era vazar

Vazar o peito, a mente,
A dor, todo incômodo.

Cria que assim me esvaziava
Das raivas que vida me dava

Mas ficava cada vez mais cheio

Hoje eu escrevo.

Assim não me calo e nem grito
Escrevendo, sou híbrido.


Com Gosto de Poemas Brutos


Com gosto de poemas brutos
Beijo-lhe os lábios com leves mordidas
Mordidas que tem que se saber sentir
E não se precisa entender

E com seus olhos cheios de dedos

Agarra-me, devora, desarma
Arremessa-me no chão
E desliza o teu sal no meu

Após a materialização do sentimento

Depois de se tocar no que é abstrato
A meia luz, fico parado
Contemplando o teu corpo

Lembrando dos beijos poéticos

Olhando teus olhos fechados
A serena face, que a pouco era bruta
Dorme com um sutil sorriso no rosto


Cardápio

Gosto de Comida. Adoro Dobradinha!
Gosto muito dos cheiros de temperos
Que se misturam e formam um novo odor
Que nos faz salivar e sonhar com o novo paladar

Mas me apetece mais as pessoas

Qualquer comida ou bebida
Fica melhor em boa companhia
Mas isto hoje é um prato caro
E bem difícil de encontrar

Já pensou num cardápio de Pessoas?

Eu ia escolher bem os ingredientes:
Inteligência, cortesia, beleza (uma pitada, mas generosa),
Companheirismo, bom humor, ideologia (a gosto, mas não pode faltar),
Musicalidade, originalidade, sorriso, bom papo e um cheiro gostoso

Ia pular a página do cardápio que oferecesse
Mediocridade, chatice, lamentações e “água-com-açuquisse”
Esse tipo de gente não me interessa

Eu acho que seria um bom início para o início do novo mundo

Eu conheço bastante gente boa
Será bom um dia ajuntá-las todas para uma dobradinha com uma pinguinha
E os demais ingredientes do cardápio, claro. 
Ah, será que eu vou “comer você”?