quinta-feira, 11 de abril de 2013

Escrevendo, escondendo


Quando escrevo e alguém gosta
Penso se gostou do ajuntamento das palavras
Ou do pensamento contido
Prefiro que gostem da segunda opção
Assim penso que começo a ser redimido

Ser compreendido é o que busco
Mas se desperto outras coisas
Quando lido, fico feliz
Não foi inútil o tempo gasto
Com o escrito

Não escrevo com a constância
De alguns amigos,
Escrevo pouco, talvez
Para me manter escondido

Quero e abdico!

A Rua, o Nicollau e o Mundo


Morei, até 2002, em uma casa na Santa Cruz, em um pequena rua sem saída.
No final de 2011 meu filho Nicollau foi até àquela rua visitar um amigo.
Perguntou-me se eu tinha certeza que moramos naquela rua mesmo.
Ele a achou muito pequena, em suas lembranças a rua era enorme.
Era sua visão infantil.

Todos já tivemos surpresas assim.

Eu já tenho lembranças do tempo em que eu era mais forte.
Quando eu peitava esse mundo injusto,
Quando cria que minha revolta iria contagiar tanta gente
Que mudaríamos o mundo.
Era minha visão juvenil.

Passei parte da minha vida nesta luta.
E a cada dia percebi mais de que modo era feito o mundo
E quanto mais informado, mais indignação.

Não mudei muito, ainda fico indignado todos os dias
Percebo até mais as sutis explorações dos "homens"
É minha visão mais madura.

Hoje quero que o meu mundo seja pequeno como aquela rua
Assim fica mais possível a administração dele.
Poderei enfeitá-lo com músicas, letras e amigos...
E deixar de lado um pouco as coisas que não conseguimos mudar
Mas que ainda incomodam bastante

Nem ligo mais se disserem que deserdei
Faço minhas escolhas à partir do que gosto
Não mais do que me atormenta a existência.

Uma alienação voluntária e consciente.

Desejo que este mundo seja enorme como a Rua do Nicollau.

Mas aceito conversar.